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VII Semana Pedagógica do INES discute desafios da formação bilíngue

  • Publicado: Segunda, 27 de Março de 2017, 11h16

O Departamento de Ensino Superior (Desu) do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) promoveu nos dias 14, 16 e 21 de março a VII Semana Pedagógica do INES, com o tema "A formação do pedagogo e os desafios da formação bilíngue". O evento contou com palestras, debates, apresentação de pesquisas, oficinas e minicursos abertos ao público inscrito.

O primeiro dia de evento, terça-feira, foi reservado para palestras no auditório central do INES. A professora Nívea Ximenes apresentou a mesa de abertura, seguida pela palestra sobre pedagogia surda da professora Ana Regina Campello. "Lutamos para melhoras o ensino em geral para surdos e ouvintes. Mas é essencial que o surdo saiba que tem direitos e afirme o que quer. Já os ouvintes precisam se colocar no lugar do outro, especialmente os professores, pois vão ensinar crianças surdas, para que cresçam como cidadãos. É uma responsabilidade da escola", destacou a professora, em língua brasileira de sinais (libras).

Ana Regina ainda abordou a questão da diferença, da intermediação cultural e da percepção do olhar no processo de aprendizagem do surdo. "Por exemplo: uma sala de aula com carteiras dispostas em círculo, em que todos se vejam, é melhor. Tudo que dificulta ou bloqueia a visão atrapalha o ensino", afirmou. Ela também frisou a importância da educação precoce para a inclusão do surdo na sociedade: "Deve-se estimular a língua de sinais desde os primeiros meses de vida, e não esperar até que a criança tenha 7 anos de idade".

Logo depois, a professora e mediadora Rosana Prado recebeu a diretora do Departamento de Ensino Superior, Tanya Amara Felipe, e a professora convidada Andreza Barboza Nora, do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) na mesa redonda "Políticas linguísticas e os desafios da educação bilíngue" - que, segundo Andreza, é uma temática relativamente nova no Brasil. De acordo com a especialista, no país há cerca de 200 línguas indígenas, 50 provenientes de imigrantes e duas de sinais, sendo uma delas a libras. "Somos um país multilíngue, mas isso sempre foi visto como um problema", disse.

Andreza explicou a diferença entre políticas linguísticas explícitas - legislações e ações do Estado - e implícitas - normas não oficializadas ou formalizadas, que surgem nas práticas sociais e no cotidiano. "Segundo muitos teóricos, as implícitas são até mais importantes, já que as leis não são garantias efetivas. Políticas linguísticas explícitas voltadas para surdos, como a Lei de Libras, são fruto das lutas do movimento social", observou.

Tanya Felipe traçou uma trajetória das políticas linguísticas no país desde a década de 1980 e lembrou que ainda há graves falhas na equidade. "A falta de comunicação é uma realidade drástica da maioria dos surdos, que ainda vive sem saber nenhuma língua", lamentou a professora. Para ela, ainda há muito a se fazer em termos de propostas educacionais: "É preciso repensar que modelo de educação bilíngue é a mais adequada para a população surda".

À noite, a intérprete e pesquisadora Renata Costa ministrou uma palestra sobre a atuação do professor-intérprete de libras, destacando questionamentos a respeito do dia a dia dos profissionais que exercem as duas funções em sala de aula. Renata pesquisou o tema para sua dissertação de mestrado, defendida na mesma semana. Os outros dois dias do evento contaram com apresentação de pesquisas de professores da graduação e oficinas e minicursos diversos, oferecidos por profissionais do INES e convidados no prédio do Departamento de Ensino Superior.

Encerrando a Semana Pedagógica, na noite do dia 21, Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, os professores do INES Ricardo Janoário e Marisa Gomes promoveram uma roda de conversa sobre questões raciais e o lançamento do documentário "O lá e o aqui". O projeto aborda o racismo a partir de depoimentos de estudantes oriundos da África que vieram ao Brasil para estudar. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

No auditório central do INES, os universitários Fleury Kwegir Johnson, Manuela Chantal Boma-Atta e Mensah Hubert Dossevi debateram o tema e contaram suas experiências, fazendo um paralelo entre as expectativas que tinham em seus países de origem e as realidades percebidas aqui, ao chegarem ao Brasil. O evento também fez parte da campanha "21 dias de ativismo contra o racismo"

Na sexta-feira, dia 17, houve ainda a II Jornada de Iniciação Científica, voltada à divulgação de pesquisas e trabalhos acadêmicos na área da educação e surdez. No encontro, foram apresentadas as atividades de iniciação científica desenvolvidas por alunos bolsistas do Programa de Iniciação Científica (PIC-INES) e demais alunos participantes de pesquisas na graduação e pós-graduação do INES e de outras instituições de ensino.

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