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Notícias e Avisos

COINES 2017: INES realiza XVI Congresso Internacional e XXII Seminário Nacional

  • Publicado: Terça, 14 de Novembro de 2017, 07h51

O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) realizou, entre os dias 6 e 8 de novembro, o seu XVI Congresso Internacional e XXII Seminário Nacional - COINES 2017, com o tema "INES: 160 anos construindo igualdade e democracia no Brasil". Os principais debates do evento se pautaram por assuntos emergentes como a história do instituto, que completou 160 anos em setembro, e o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que abordou os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, na primeira etapa da prova, dia 5 de novembro. Cerca de mil pessoas, entre congressistas, palestrantes e convidados, estiveram presentes no Prodigy Hotel Santos Dumont Airport, no Centro do Rio, onde aconteceu o encontro.

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Entre os palestrantes, havia especialistas, mestres e doutores do INES, de outras instituições brasileiras e de países ibero-americanos. O evento também recebeu representantes de associações e órgãos voltados para questões das pessoas surdas e com deficiência e autoridades do Ministério da Educação (MEC) e outras instituições. Representando a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC, Franclin Nascimento destacou a relevância do congresso e das discussões que se propagam a partir dele: "Nós temos duas línguas oficiais no Brasil, o português e a libras. É mais do que urgente pensarmos a pedagogia surda", disse durante a abertura.

O COINES 2017 propôs-se a promover a troca de experiências e saberes, apresentar pesquisas e fomentar discussões sobre cultura e identidade surdas, estudos linguísticos, políticas públicas e outras questões da área da educação de surdos. Pela primeira vez, o encontro foi dividido em eixos temáticos, simultâneos, que nortearam os debates e os trabalhos expostos: Políticas, Sociedades e a Pessoa Surda (Questões em Saúde e História); Questões em Tradução e/ou Interpretação de Línguas de Sinais; Expressões Surdas em Esporte, Cultura e Artes; Questões Linguísticas e Educacionais em Língua de Sinais; e Educação de Surdos: Formas de Pedagogia em Bilinguismo e Inclusão.

Além das atividades dos eixos – mesas redondas e conferências –, a programação contou com palestras e debates públicos, exposição de pôsteres acadêmicos, exibição de trabalhos artísticos de alunos do Colégio de Aplicação do INES, mostra videográfica de materiais e projetos do instituto, a exposição "Cores surdas do Brasil" e uma feira com stands de livros, artigos diversos e TV INES, todas abertas a visitação. Paralelamente, também foram realizadas reuniões com os Centros de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) e o lançamento de um livro e um repositório digital. No último dia, houve ainda apresentação de relatórios dos grupos de trabalhos/eixos, premiação de pôsteres e uma mostra de arte e cultura surda, além do encerramento com a comissão organizadora do evento.

Dos convidados estrangeiros, estavam profissionais e pesquisadores de instituições de Portugal, México, Colômbia, Bolívia e El Salvador, que relataram experiências de escolas bilíngues e inclusivas em seus países. Alvaro Valentín Angulo trouxe um pouco da história da primeira escola para surdos do México, que completa 150 anos em novembro e, assim como o INES, foi fundada pelo francês E. Huet. "Dez anos depois da fundação da primeira escola de surdos do Brasil, Huet foi ao México para implementar um programa de educação pública similar, com a criação da Escuela Nacional de Sordomudos", contou.

Especialistas de outros estados também traçaram panoramas da educação de surdos em suas regiões e no Brasil. Algumas das questões abordadas foram a carência de professores fluentes em língua brasileira de sinais nas escolas, carga horária e especificidades da educação de surdos. "O surdo deve ficar olhando constantemente para o professor. Será que ele deve ter a mesma quantidade ou distribuição de horas de aulas que o ouvinte? Talvez tenhamos que pensar um outro plano de desenvolvimento pedagógico para as escolas bilíngues", sugeriu Rodrigo Rosso, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Em debate público, outros participantes chamaram a atenção para a estrutura visual e a importância da língua de sinais como língua de instrução para que a criança surda possa acessar o conhecimento. "Mesmo sendo duas línguas oficiais no país, a libras e o português têm status diferentes na sociedade. A libras precisa sair do status de tradução e apoio apenas", ressaltou Rimar Segala, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O professor de libras ainda pontuou a necessidade de levar as conclusões de pesquisas, eventos e debates para a prática: "Tudo que é feito e estudado sobre surdos tem que ser retornado a eles, e isso nem sempre acontece".

No encerramento, a direção do INES fez um balanço do congresso e agradeceu o apoio da organização. "Tivemos um congresso à altura da celebração dos 160 anos do INES", observou Paulo Roberto do Nascimento, chefe de gabinete do INES. O diretor geral, Marcelo Cavalcanti, frisou a pertinência do evento e a coincidência da prova de redação do Enem. "Acredito que chegamos mais perto dos surdos e conseguimos colocar em evidência as demandas, a experiência e o trabalho deles mais uma vez. Foi muito frutífero estabelecer também essa troca com outros países para conhecer a realidade deles e eles, a nossa", completou.

Na mostra de arte e cultura surda, que fechou o evento, apresentaram-se diversos artistas surdos, entre eles o bailarino e escritor Claudio Mourão e o casal de palhaços Cléber Couto e Glória Ferreira, que também esteve no INES para divertir as crianças do Colégio de Aplicação.

Congressinho

Uma das novidades na edição deste ano do COINES foi a realização de uma versão infantil do evento, o Congressinho. Os professores de libras do Colégio de Aplicação do INES reservaram o dia seguinte ao encerramento do congresso para integrar os alunos do instituto e oferecer atividades lúdicas, como jogos, oficinas simultâneas, gincanas em libras, exibição de filmes, brinquedos, pintura facial, cabine de fotos, além de lanche e doces. Estudantes do ensino médio também puderam participar de oficinas voltadas para eles. 

 

 

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