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Notícias e Avisos

Professora do INES recebe Prêmio Capes de Tese 2015

  • Publicado: Sexta, 13 de Novembro de 2015, 11h14
Cristiane (a segunda a partir da direita) no dia em que defendeu sua tese
Cristiane (a segunda a partir da direita) no dia em que defendeu sua tese

 

Uma professora adjunta do curso de pedagogia do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) ganhou o Prêmio Capes de Tese, edição 2015, na área de Educação e irá à cerimônia de entrega no dia 10 de dezembro, em Brasília. Cristiane Correia Taveira defendeu a tese “Por uma didática da invenção surda: prática pedagógica nas escolas-piloto de educação bilíngue no município do Rio de Janeiro” na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 2014, quando ingressava no instituto. O prêmio, divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no dia 31 de agosto deste ano, é concedido às melhores teses de doutorado do ano anterior e selecionadas em cada uma das 48 áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes nos cursos de pós-graduação. Confira abaixo a entrevista realizada com a professora.

– Há quanto tempo você trabalha no INES?
Cristiane Taveira: Há um ano. Foi com grande satisfação que ingressei no INES como professora adjunta na disciplina de Educação Bilíngue, no Departamento de Ensino Superior (DESU), em outubro de 2014.

– Considerando sua carreira no campo da educação e da surdez, o que significou para você ganhar este prêmio?
Cristiane Taveira: Comecei a trabalhar aos 15 anos e a minha trajetória profissional e acadêmica se deu concomitantemente, pois não foi possível deixar de trabalhar durante os cursos. Atuei no primeiro segmento do Ensino Fundamental de escolas públicas estaduais e municipais do Rio de Janeiro por 20 anos e nos últimos anos como membro do Laboratório de Libras do Instituto Municipal Helena Antipoff, onde conheci as lideranças surdas e me interessei pelo campo da surdez. Pude então dar continuidade à política que resultou nas escolas-piloto de educação bilíngue no município do Rio. Este prêmio significa um reconhecimento pelo esforço do intelectual que traz a sua contribuição ao campo à medida que atua no chão da escola. É também um prêmio aos professores da Educação Básica e aos pesquisadores do campo da surdez.

– Você esperava que sua tese fosse selecionada?
Cristiane Taveira: Foi uma grata surpresa! No campo de estudos da surdez não houve premiação anterior, e no programa de pós-graduação da PUC em Educação esta foi a primeira premiação.

– Seu trabalho teve como foco a prática pedagógica em escolas de educação bilíngue. Quais conclusões você pode compartilhar? Como esta pesquisa deve ajudar a orientar práticas pedagógicas e de políticas públicas?
Cristiane Taveira: O problema desta tese está no letramento de alunos surdos, investigando-se as práticas pedagógicas relacionadas à experiência visual. Procurei identificar as características de práticas apoiadas em recursos com imagens junto a instrutores surdos e professores não surdos em atuação nas escolas-piloto de educação bilíngue na cidade do Rio de Janeiro. Com a pesquisa, estabeleci a possibilidade de descrever e catalogar os objetos educacionais criados por eles, como vídeos-aulas, fotografias, contação de histórias, peças teatrais, animações, charges e murais. Tive a oportunidade de ensinar a esses instrutores e professores conceitos e técnicas derivadas da sua própria prática, envolvendo-os na resolução de problemas e valorização dos saberes em cena, e com isso tornar outras didáticas públicas.

– Sua experiência no INES, mesmo recente, chegou a ajudá-la na pesquisa?
Cristiane Taveira: Parte dos instrutores surdos com didáticas mais representativas, mapeados por por mim nesta pesquisa, é de professores com formação no curso de pedagogia bilíngue do INES. Acredito que as camadas de formação, tanto no curso de pedagogia do INES quanto nos encontros de educação bilíngue organizados por meio desta pesquisa, como também outros espaços liderados por surdos, fazem parte deste caleidoscópio de experiências. Os resultados são compartilhados a partir de publicações, palestras e, atualmente, nas monografias dos próprios instrutores pesquisados.

– Pretende aprofundar os estudos nessa área?
Cristiane Taveira: Sim. O prêmio engloba uma bolsa para realização de estágio pós-doutoral, em que pretendo aprofundar questões já em andamento e que são trabalhadas pelos membros do grupo de pesquisa “Educação, mídias e Comunidade Surda”, criado em 2015 e formado por professores, intérpretes e alunos do INES e de outras instituições parceiras.


Cristiane também participou do XIV Congresso Internacional do INES, em outubro
Cristiane também participou do XIV Congresso Internacional do INES, em Outubro

Prêmio Capes de Tese

O Prêmio Capes de Tese, concedido a cada ano às melhores teses de doutorado defendidas no ano anterior, em cada uma das áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes, consiste em: passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação, que ocorrerá na sede da Capes, em Brasília; certificado de premiação ao orientador, co-orientador(es) e ao programa em que foi defendida a tese; certificado de premiação e medalha para autor; auxílio equivalente a uma participação em congresso nacional para o orientador, no valor de R$ 3 mil; bolsa para realização de estágio pós-doutoral em instituição nacional de até três anos para o autor da tese, podendo converter um ano em estágio pós-doutoral fora do país em uma instituição de notória excelência na área de conhecimento do premiado.

A Fundação Carlos Chagas oferecerá aos autores vencedores nas áreas de Educação e de Ensino um prêmio no valor de R$ 15 mil e quatro prêmios na categoria Menção Honrosa no valor de R$ 5 mil cada, sendo duas premiações de Menção Honrosa em cada uma das duas áreas.

Durante a cerimônia de premiação, será outorgado ainda o Grande Prêmio Capes de Tese para a melhor tese selecionada em cada um dos três grupos de grandes áreas.

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