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Notícias e Avisos

Primeiro Fórum Bilíngue de 2016 celebra mês da mulher

  • Publicado: Quinta, 07 de Abril de 2016, 16h14

O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) deu início à programação do Fórum Bilíngue 2016 no dia 31 de março, quinta-feira. Das 10h às 18h30, o primeiro evento aberto ao público do ano celebrou o mês do Dia Internacional da Mulher com temas de interesse ao público feminino. Apresentado com um novo formato, diferente dos fóruns realizados no ano passado, o encontro foi o primeiro a dar enfoque ao papel da mulher na sociedade e a reunir somente palestrantes surdas. O auditório do instituto recebeu cerca de 150 pessoas.

Entre as palestrantes convidadas, estavam Shirley Vilhalva, Ronise Oliveira, Marianne Rossi Stumpf e Heloise Gripp Diniz, que compareceu apesar de estar com febre chikungunya. Na abertura do evento, a diretora do Departamento de Desenvolvimento Humano, Científico e Tecnológico (DDHCT), Gabriela Rizo, frisou a importância de realizar um fórum com participação massiva de mulheres surdas, inclusive entre as mediadoras: "A igualdade é um conceito que se realiza enquanto luta e enquanto consciência, dia após dia. Ela é o caminho para a busca da felicidade", completou.

Na primeira palestra do dia, "Mulher, vivências e experiências na causa política social e educacional", a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Heloise Gripp Diniz mostrou parte da história do feminismo e um panorama de como vivem hoje, ao redor do mundo, as mulheres de diferentes culturas. Heloise ainda abordou conceitos como identidade - e como a sociedade e julga e cobra determinadas posturas femininas - e questões de gênero e sexualidade, bem como a participação de mulheres com surdez em causas políticas e sociais. "Precisamos expandir as lideranças femininas surdas", salientou inicialmente a mediadora Elaine Bulhões, professora do INES. 

Shirley Vilhalva, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ministrou a palestra sobre "Mulheres e políticas afirmativas", com mediação de Márcia Cristina Paulo, aprofundando-se no feminismo surdo e nas políticas públicas. A pedagoga apresentou denúncias e problemas sofridos pelas mulheres surdas, como a ausência de intérpretes em reuniões de pais nas escolas, em delegacias, em clínicas e consultórios médicos. Para ela, a questão crucial é linguística: "É através da língua de sinais que temos acesso à informação, à saúde, à educação. Ela é que salva a mulher surda", afirmou Shirley, que espera que os saberes das mulheres com deficiência contribuam para a liberdade de expressão e o empoderamento da mulher. Shirley também fez uma homenagem à primeira doutora surda do Brasil, Gladis Perlin.

Em seguida, a professora Marianne Rossi Stumpf, da UFSC, ressaltou "a importância da liderança feminina" e o espaço da mulher em instituições e no debate público, que ainda é limitado. Marianne contou experiências de outros grupos minoritários e reforçou a ideia de que a informação é a base da luta. "A surda é discriminada duas vezes - por ser mulher e por não ouvir", lembrou. A mediadora e professora do INES Ana Regina Campello sugeriu a criação de um calendário para se discutir as questões da mulher surda.

A professora e tutora de libras Ronise Oliveira fechou o evento destacando a importância de se pensar a educação das meninas ainda na infância, "para que se compreendam como indivíduos e se empoderem", e apresentando dicas de como ser uma boa líder. Segundo ela, para exercer a liderança, a mulher precisa ter "conhecimento, capacidade, responsabilidade, humildade e pensamento inovador", mas ainda falta orientação e diálogo para que isso aconteça plenamente.

Sobre o Fórum Bilíngue

A partir de 2016, o Departamento de Desenvolvimento Humano, Científico e Tecnológico (DDHCT), o Departamento de Educação Básica (Debasi) e o Departamento de Ensino Superior (Desu) do INES estão, juntos, promovendo o Fórum Bilíngue. Serão oferecidas em um dia, a cada mês, atividades voltadas para o debate e a apresentação de experiências em torno de um eixo temático. A ideia é reunir especialistas, educadores, técnicos, pessoas surdas e seus familiares para refletirem e discutirem sobre assuntos relacionados à área da educação e da surdez e temas tangentes. O evento acontece ao longo do dia no auditório central do INES. Informações sobre inscrições e a programação dos próximos encontros serão divulgadas no site do INES semanas antes de cada fórum.

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