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Notícias e Avisos

Fórum Bilíngue do INES debate participação dos surdos no esporte

  • Publicado: Quarta, 25 de Maio de 2016, 12h43

No dia 19 de maio, quinta-feira, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) deu continuidade à programação do Fórum Bilíngue 2016 com o tema "O surdo e o esporte no Brasil". Aberto ao público, o evento contou com a presença de palestrantes da Federação Desportiva de Surdos do Estado do Rio de Janeiro (FDSERJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e da Universidade Estácio de Sá de Juiz de Fora, além do próprio INES. O auditório do instituto recebeu cerca de 120 pessoas e todos os professores de educação física do INES prestigiaram o evento.

Pela manhã, professores de Juiz de Fora (MG) e de Rio Grande (RS) apresentaram um panorama sobre "O surdo e o esporte", com a mediação do professor Murilo Castelo Branco, do INES. Felipe Gulias, que fez um trabalho com a Associação do Surdos de Juiz de Fora (ASJF), destacou que pessoas com deficiência auditiva têm plena capacidade de aprender a desenvolver a coordenação motora necessária à prática de esportes de alto rendimento, como qualquer indivíduo sem deficiências. "A coordenação motora dos surdos não está ligada à deficiência e, sim, à falta de estímulo", lembrou.

Já Marco Aurélio Di Franco, mestre em Educação Ambiental e doutorando em Educação Física, contou um pouco da história das associações esportivas de surdos e da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), que ajudou a formar, além de ressaltar a importância da criação e divulgação dessas entidades, a fim de valorizar a comunidade surda e trazer reconhecimento. Ele também abordou a questão dos Jogos Paralímpicos, que não incluem pessoas surdas, e das Surdolimpíadas, cuja próxima edição será em 2017, na Turquia. Em debate com a plateia, foram pensadas soluções para adaptar as competições, como sinais luminosos ou pulseiras vibratórias em substituição aos apitos, por exemplo.

À tarde, foi a vez de Renato Poubel relatar suas experiências em colégios municipais e estaduais do Rio de Janeiro. Ele apresentou questões sobre a identidade da educação física e seus profesores e propôs uma discussão sobre o modelo que existe hoje nas escolas: "É preciso romper com valores padronizados e estar atento para não contribuir para a exclusão, como quando os alunos se sentem fora dos padrões corporais difundidos na sociedade". Segundo Poubel, fazer da diferença uma possibilidade é o caminho para a inclusão.

Em seguida, o presidente da Federação Desportiva de Surdos do Estado do Rio de Janeiro (FDSERJ), Alexandre Silva, que já foi aluno do INES, mostrou como está a preparação dos atletas surdos para as Surdolimpíadas e outros campeonatos. "Há cerca de 8 mil surdos no Estado do Rio. É importante chamá-los, para que não se escondam, para que busquem atividades físicas e se reúnam", ressaltou Alexandre, em língua brasileira de sinais (libras). Na plateia, estava o judoca Alexandre Soares, primeiro medalhista surdo do Brasil (na foto, de camisa azul).

O professor do INES Daniel Leal também contribuiu com suas experiências, comparando o ensino de educação física no INES e em escolas inclusivas da rede municipal. Para ele, o principal obstáculo a ser superado, além da falta de recursos, é a comunicação com os alunos. "Não há educação de qualidade sem comunicação de qualidade. O aluno não está ali só para aprender a técnica e as regras do esporte, mas para conviver com os demais, socializar, formar sua personalidade", concluiu. Fábio Pereira, docente do INES, foi o moderador do debate.

Para a última palestra do dia, "Educação integral do surdo pelo esporte", o moderador Ricardo Janoário recebeu Clévia Sies, mestre em Diversidade e Inclusão e doutoranda em Biociências e Saúde da Fiocruz. Entre as dificuldades atuais, Clévia destacou a insuficiência de professores bilíngues, intérpretes, material didático em libras e até mesmo termos científicos. De acordo com ela, apenas um terço dos esportes olímpicos tem sinal em libras. "O surdo pode participar de qualquer esporte, desde que se tomem cuidados específicos. É importante que o professor saiba língua de sinais para ter contato direto com o aluno", disse ela, que desenvolve um projeto em que avalia e cria novos sinais em libras para esportes e termos afins.

Segundo a professora, "esportes promovem não só a saúde e o lazer, mas a autonomia, a cooperação, o respeito, o autocuidado, a ética, a análise crítica etc. A educação integral é um processo inclusivo que começa na comunidade escolar". A diretora do Departamento de Desenvolvimento Humano, Científico e Tecnológico (DDHCT), Gabriela Rizo, aproveitou o evento para reiterar a importância do esporte na educação de crianças e jovens, especialmente os surdos, para além da busca pela saúde física e pelo lazer.

Sobre o Fórum Bilíngue

A partir de 2016, o Departamento de Desenvolvimento Humano, Científico e Tecnológico (DDHCT), o Departamento de Educação Básica (Debasi) e o Departamento de Ensino Superior (Desu) do INES estão, juntos, promovendo o Fórum Bilíngue. Serão oferecidas em um dia, a cada mês ou bimestralmente, atividades voltadas para o debate e a apresentação de experiências em torno de um eixo temático. A ideia é reunir especialistas, educadores, técnicos, pessoas surdas e seus familiares para refletirem e discutirem sobre assuntos relacionados à área da educação e da surdez e temas tangentes. Informações sobre inscrições para os próximos encontros serão divulgadas no site do INES semanas antes de cada fórum. Confira abaixo a programação completa de 2016:

 

 

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